Acórdão Supremo Tribunal de Justiça – Processo 4684/16.0T8VFX-E.L1.S1 – 2021-12-16
Relator: LUIS ESP?RITO SANTO. I ? O caso julgado formado pela senten?a que reconheceu o direito de reten??o em favor do promitente comprador n?o ? opon?vel a quem n?o foi parte na referenciada ac??o e que, sendo terceiro interessado, nela n?o teve interven??o (em particular os demais credores no processo de insolv?ncia em causa), o que implica que o interessado/reclamante ter? o ?nus de produzir nesta sede a prova dos factos demonstrativos da natureza privilegiada do seu cr?dito (garantido). II ? Por?m, sem preju?zo da inoponibilidade do caso julgado a que se fez alus?o, n?o havendo o cr?dito invocado pela reclamante, com remiss?o para os factos constantes da decis?o judicial que invoca, sido objecto de qualquer impugna??o por parte de outro credor, sendo ali?s reconhecido pelo administrador da insolv?ncia, no montante de ? 200.00,00, acrescido de juros no montante de ? 4.602,74, embora com a considera??o de que se tratava de um cr?dito comum, n?o garantido, cumpre igualmente reconhecer, na senten?a de verifica??o e gradua??o de cr?ditos, a exist?ncia do cr?dito que emerge de um contrato promessa de compra e venda, cujo incumprimento definitivo ocorreu em 14 de Julho de 2016, data anterior ? declara??o de insolv?ncia da promitente vendedora, que se verificou em 5 de Julho de 2017, nos termos gerais do artigo 791?, n? 4, do C?digo de Processo Civil. III ? A circunst?ncia de, no momento da declara??o da insolv?ncia, j? ter sido extinto o contrato promessa pelo exerc?cio do direito de resolu??o fundado em incumprimento definitivo por parte do promitente vendedor, torna invi?vel qualquer actua??o do administrador da insolv?ncia relativamente ao seu cumprimento ou recusa, pelo que n?o lhe ? aplic?vel o regime consignado nos artigos 102? a 106? do CIRE, relativo aos denominados ?neg?cios em curso?. IV ? Neste pressuposto (incumprimento definitivo do contrato promessa em momento anterior ? declara??o de insolv?ncia da promitente vendedora), o reconhecimento do direito de reten??o de que ? titular o promitente comprador relativamente ao dobro do sinal prestado, nos termos do artigo 755?, n? 1, al?nea f), do C?digo Civil, n?o depende da prova a produzir pelo credor de que tem a qualidade de consumidor, n?o sendo aplic?vel, neste caso, a doutrina dos ac?rd?os uniformizadores n?s 4/2014, de 20 de Mar?o de 2014 e 4/2019, de 12 de Fevereiro de 2019, enquanto precedente qualificado. V ? Sendo ou n?o consumidor, o promitente comprador em contrato promessa resolvido, por incumprimento definitivo por parte do promitente vendedor em data anterior ? declara??o de insolv?ncia deste, existindo traditio da coisa, goza do direito real de reten??o nos termos dos artigos 755?, n? 1, al?nea f), e 442?, n? 2, do C?digo Civil, que ser? graduado como cr?dito privilegiado e n?o como cr?dito comum. ? ????????????????????????
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Relator: LUIS ESP?RITO SANTO. I ? O caso julgado formado pela senten?a que reconheceu o direito de reten??o em favor do promitente comprador n?o ? opon?vel a quem n?o foi parte na referenciada ac??o e que, sendo terceiro interessado, nela n?o teve interven??o (em particular os demais credores no processo de insolv?ncia em causa), o que implica que o interessado/reclamante ter? o ?nus de produzir nesta sede a prova dos factos demonstrativos da natureza privilegiada do seu cr?dito (garantido). II ? Por?m, sem preju?zo da inoponibilidade do caso julgado a que se fez alus?o, n?o havendo o cr?dito invocado pela reclamante, com remiss?o para os factos constantes da decis?o judicial que invoca, sido objecto de qualquer impugna??o por parte de outro credor, sendo ali?s reconhecido pelo administrador da insolv?ncia, no montante de ? 200.00,00, acrescido de juros no montante de ? 4.602,74, embora com a considera??o de que se tratava de um cr?dito comum, n?o garantido, cumpre igualmente reconhecer, na senten?a de verifica??o e gradua??o de cr?ditos, a exist?ncia do cr?dito que emerge de um contrato promessa de compra e venda, cujo incumprimento definitivo ocorreu em 14 de Julho de 2016, data anterior ? declara??o de insolv?ncia da promitente vendedora, que se verificou em 5 de Julho de 2017, nos termos gerais do artigo 791?, n? 4, do C?digo de Processo Civil. III ? A circunst?ncia de, no momento da declara??o da insolv?ncia, j? ter sido extinto o contrato promessa pelo exerc?cio do direito de resolu??o fundado em incumprimento definitivo por parte do promitente vendedor, torna invi?vel qualquer actua??o do administrador da insolv?ncia relativamente ao seu cumprimento ou recusa, pelo que n?o lhe ? aplic?vel o regime consignado nos artigos 102? a 106? do CIRE, relativo aos denominados ?neg?cios em curso?. IV ? Neste pressuposto (incumprimento definitivo do contrato promessa em momento anterior ? declara??o de insolv?ncia da promitente vendedora), o reconhecimento do direito de reten??o de que ? titular o promitente comprador relativamente ao dobro do sinal prestado, nos termos do artigo 755?, n? 1, al?nea f), do C?digo Civil, n?o depende da prova a produzir pelo credor de que tem a qualidade de consumidor, n?o sendo aplic?vel, neste caso, a doutrina dos ac?rd?os uniformizadores n?s 4/2014, de 20 de Mar?o de 2014 e 4/2019, de 12 de Fevereiro de 2019, enquanto precedente qualificado. V ? Sendo ou n?o consumidor, o promitente comprador em contrato promessa resolvido, por incumprimento definitivo por parte do promitente vendedor em data anterior ? declara??o de insolv?ncia deste, existindo traditio da coisa, goza do direito real de reten??o nos termos dos artigos 755?, n? 1, al?nea f), e 442?, n? 2, do C?digo Civil, que ser? graduado como cr?dito privilegiado e n?o como cr?dito comum. ? ????????????????????????
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III - O STJ, com fundamento, designadamente, na interpreta??o que a doutrina tem feito do regime jur?dico do art. 640.? do NCPC, j? consolidou uma jurisprud?ncia firme acerca da forma como deve ser efetuada pelas partes a impugna??o da decis?o sobre a mat?ria de facto e sobre o que ? obrigat?rio constar das conclus?es e o que admite que esteja essencialmente presente nas alega??es recurs?rias, constituindo para a mesma, como ?nica exig?ncia legal em sede do conte?do das conclus?es de recurso de apela??o, a concreta identifica??o dos pontos de facto relativamente aos quais o recorrente pretende que os tribunais da 2.? inst?ncia incidam o seu julgamento. IV - Ora, confrontando tal jurisprud?ncia com as conclus?es do recurso de apela??o do autor, mal se compreende o teor das alega??es e conclus?es do recurso de revista no que concerne a esta tem?tica, dado o autor ter identificado suficientemente os pontos de facto e al?neas da factualidade dada como assente e n?o assente que pretendia ver alterados pelo TRL, indicando mesmo, ainda que em moldes gen?ricos, o sentido dessa modifica??o. V - Muito embora o autor n?o tenha logrado provar, como lhe competia, toda a factualidade pormenorizadamente descrita na sua carta de resolu??o da rela??o laboral dos autos, a que conseguiu demonstrar nos autos prefigura, sem grande margem para d?vidas, um cen?rio de ass?dio moral, que justifica plenamente a resolu??o com justa causa da mesma. VI - Em caso de comportamento il?cito continuado do empregador, o prazo de caducidade do direito ? resolu??o do contrato s? se inicia quando for praticado o ?ltimo ato de viola??o do mesmo. VII - Atendendo ao regime constante dos arts. 364.?, 369.? a 372.? do CC, 7.? e ss do CSC e 3.?, 13.?, 14.? e 15 do CRgCom, n?o somente as sociedades por quotas, como a r?, t?m de ver a sua constitui??o inicial, assim como as suas subsequentes altera??es quanto ao seu substrato pessoal, constar de documentos escritos, como os atos que estes ?ltimos suportam t?m ainda de ser obrigatoriamente registados, n?o sendo o registo para tal efeito meramente declarativo ou probat?rio mas constitutivo da exist?ncia aut?noma de tal ente societ?rio e das vicissitudes que o mesmo ir? conhecendo, nessa vertente como noutras, consideradas essenciais pelo legislador comercial, ao longo da sua vida futura e ativa. IX - Tal significa que a mera confiss?o do autor de que foi s?cio da r? durante o aludido per?odo temporal n?o possu?a a virtualidade de substituir o acordo escrito atrav?s do qual entrou como s?cio na empregadora, como tamb?m n?o podia sobrepor-se e desconsiderar o aludido registo comercial, segundo o n.? 1 do art. 364.? do CC. X - Nada obsta, juridicamente, a que um dado trabalhador desenvolva as suas normais fun??es ao abrigo do contrato de natureza laboral [art. 11.? do CT/2009] que assinou ou acordou verbalmente com a sua entidade patronal e que, em simult?neo, possa ser s?cio da mesma empresa, desde que sem poderes efetivos para controlar e orientar, em concreto e efetivamente, de forma direta ou indireta a sua atividade, organiza??o, funcionamento e gest?o. XI - N?o existe fundamento de facto e de direito que justifique a pretens?o da r? no sentido da redu??o da antiguidade a contabilizar para efeitos indemnizat?rios, mediante a exclus?o do per?odo temporal entre 26-11-2007 e 20-05-2009 em que o recorrido teria sido s?cio da recorrente. XII - A situa??o de acumula??o de fun??es nas duas sociedades teve in?cio em 02-01-2011 e durou at? ao termo do contrato de trabalho mantido com a r?, que ocorreu no dia 16-10-2023 e sempre foi remunerada com a import?ncia de ? 150,00, nos 12 meses do ano [logo, no per?odo de f?rias], o que indica que nos achamos face a uma verdadeira e inequ?voca retribui??o, que, para mais, possui a natureza de retribui??o-base, nos termos conjugados no n.os 1 e 2 do art. 258.? do CT/2009. XIII - Essa quantia de ? 150,00 mensais tem de ser somada ? retribui??o-base inicial de ? 884,00, obtendo-se assim, a partir de 01-01-2011, um valor total mensal de ? 1 034,00, que tem de ser equacionado, como foi, quer em termos da quantifica??o da indemniza??o devida nos termos do art. 396.? do CT/2009, como ainda em sede de cr?ditos laborais, no que respeita aos proporcionais das f?rias do ano de 2023 e aos subs?dio de f?rias e do subsidio de Natal vencidos desde 2011 at? ao fim do v?nculo laboral, n?o havendo que fazer qualquer distin??o ? designadamente, para efeitos dos arts. 262.? e 263.? do CT/2009, entre ambas as presta??es, dado estar aqui em causa a retribui??o-base e n?o quaisquer outras presta??es complementares ou acess?rias a que alude aquela primeira disposi??o legal, n?o obstante os nomes criativos que lhe foram sendo dados pela empregadora. XIV - Atendendo ao quadro processual descrito nos autos, n?o podem restar d?vidas de que o trabalhador alegou na sua Peti??o Inicial factos mais do que suficientes para se poder ponderar, em sede de fundamenta??o e decis?o judiciais, como fez o tribunal da Rela??o de Lisboa, da exist?ncia de condutas il?citas, culposas e tipificadoras de ass?dio moral por parte da r?, levadas a cabo pelo s?cio-gerente AA3, que acarretaram, em termos de causalidade adequada, preju?zos v?rios para o recorrido, de natureza n?o patrimonial, que, por merecerem a tutela do direito, nos termos e para os efeitos dos arts. 29.? e 28.? do CT de 2009 e do n.? 1 do art. 496.? do CC, justificam plenamente o montante indemnizat?rio, porventura modesto, de ? 2 500,00.