Acórdão Supremo Tribunal de Justiça – Processo 854/21.7T8STR.E1.S1 – 2022-01-27
Relator: ADELAIDE MAGALH?ES SEQUEIRA. I - O arguido praticou diversos crimes: um crime de ofensa ? integridade f?sica qualificada; um crime de inj?ria agravado; um crime de homic?dio qualificado na forma tentada; um crime de ofensa ? integridade f?sica simples; um crime de tr?fico de estupefacientes de menor gravidade, e um crime de condu??o sem habilita??o legal. II ? O arguido foi condenado em penas de pris?o j? transitadas em julgado, que foram objecto de c?mulo jur?dico de penas, devendo o tribunal desfazer os c?mulos jur?dicos anteriormente efectuados e formar um novo c?mulo jur?dico (que englobar? as penas singulares aplicadas no concurso anterior e as penas singulares aplicadas aos crimes novos que se encontrem, com eles, em rela??o de concurso), devendo na reformula??o do c?mulo jur?dico ser sempre consideradas as penas singulares aplicadas e n?o as penas conjuntas anteriormente fixadas. III ? O arguido tamb?m foi condenado por decis?es transitadas em julgado em penas de pris?o suspensas na sua execu??o, e uma vez que o per?odo de suspens?o da respectiva execu??o ainda n?o decorreu, nem nenhuma destas penas foi declarada extinta pelo seu cumprimento, n?o se verifica qualquer ?bice a que estas penas tenham sido englobadas no novo c?mulo jur?dico efectuado. IV ? A moldura do concurso de crimes a partir da qual deve ser determinada a pena concreta a aplicar ao arguido tem como limite m?nimo 4 (quatro) anos de pris?o (correspondente ? pena concreta mais elevada) e como limite m?ximo a pena de 9 (nove) anos e 6 (seis) meses de pris?o (correspondente ? soma das penas parcelares aplicadas, nos termos do art. 77.?, n.? 2, do CP. V ? Face ? variedade e ? diversa natureza dos crimes praticados, ?s diversas condena??es sofridas (designadamente em penas de pris?o suspensas na execu??o que n?o surtiram qualquer efeito uma vez que voltou sempre a delinquir), entende-se que a censurabilidade ?tico-jur?dica ? elevada, tendo o arguido agido sempre com dolo directo, situa??o que demanda a aplica??o de uma pena ?nica que respeite os limites tra?ados pela preven??o geral de integra??o, e pela culpa, e que seja suficiente e adequada a adverti-lo s?ria e fortemente, instando-o a reflectir sobre o seu comportamento futuro, permitindo-lhe ao mesmo tempo a sua reintegra??o na comunidade. VI - Ponderando a diversidade dos il?citos cometidos, a intensidade do dolo, directo, as necessidades de preven??o geral e especial, as diversas penas de pris?o suspensas na sua execu??o (que nada adiantaram para a modifica??o do comportamento do arguido), entende-se adequada a pena ?nica de 6 (seis) anos e 6 (seis) meses de pris?o efectiva que lhe foi aplicada, a qual n?o afronta os princ?pios da necessidade, da proibi??o do excesso, e da proporcionalidade das penas, a que alude o art. 18.?, n.? 2, da CRP, nem ultrapassa a medida da sua culpa, revelando-se adequada e proporcional ? defesa do ordenamento jur?dico, ficando prejudicada a quest?o da aprecia??o da respectiva suspens?o, por impedimento legal.
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Relator: ADELAIDE MAGALH?ES SEQUEIRA. I – O arguido praticou diversos crimes: um crime de ofensa ? integridade f?sica qualificada; um crime de inj?ria agravado; um crime de homic?dio qualificado na forma tentada; um crime de ofensa ? integridade f?sica simples; um crime de tr?fico de estupefacientes de menor gravidade, e um crime de condu??o sem habilita??o legal. II ? O arguido foi condenado em penas de pris?o j? transitadas em julgado, que foram objecto de c?mulo jur?dico de penas, devendo o tribunal desfazer os c?mulos jur?dicos anteriormente efectuados e formar um novo c?mulo jur?dico (que englobar? as penas singulares aplicadas no concurso anterior e as penas singulares aplicadas aos crimes novos que se encontrem, com eles, em rela??o de concurso), devendo na reformula??o do c?mulo jur?dico ser sempre consideradas as penas singulares aplicadas e n?o as penas conjuntas anteriormente fixadas. III ? O arguido tamb?m foi condenado por decis?es transitadas em julgado em penas de pris?o suspensas na sua execu??o, e uma vez que o per?odo de suspens?o da respectiva execu??o ainda n?o decorreu, nem nenhuma destas penas foi declarada extinta pelo seu cumprimento, n?o se verifica qualquer ?bice a que estas penas tenham sido englobadas no novo c?mulo jur?dico efectuado. IV ? A moldura do concurso de crimes a partir da qual deve ser determinada a pena concreta a aplicar ao arguido tem como limite m?nimo 4 (quatro) anos de pris?o (correspondente ? pena concreta mais elevada) e como limite m?ximo a pena de 9 (nove) anos e 6 (seis) meses de pris?o (correspondente ? soma das penas parcelares aplicadas, nos termos do art. 77.?, n.? 2, do CP. V ? Face ? variedade e ? diversa natureza dos crimes praticados, ?s diversas condena??es sofridas (designadamente em penas de pris?o suspensas na execu??o que n?o surtiram qualquer efeito uma vez que voltou sempre a delinquir), entende-se que a censurabilidade ?tico-jur?dica ? elevada, tendo o arguido agido sempre com dolo directo, situa??o que demanda a aplica??o de uma pena ?nica que respeite os limites tra?ados pela preven??o geral de integra??o, e pela culpa, e que seja suficiente e adequada a adverti-lo s?ria e fortemente, instando-o a reflectir sobre o seu comportamento futuro, permitindo-lhe ao mesmo tempo a sua reintegra??o na comunidade. VI – Ponderando a diversidade dos il?citos cometidos, a intensidade do dolo, directo, as necessidades de preven??o geral e especial, as diversas penas de pris?o suspensas na sua execu??o (que nada adiantaram para a modifica??o do comportamento do arguido), entende-se adequada a pena ?nica de 6 (seis) anos e 6 (seis) meses de pris?o efectiva que lhe foi aplicada, a qual n?o afronta os princ?pios da necessidade, da proibi??o do excesso, e da proporcionalidade das penas, a que alude o art. 18.?, n.? 2, da CRP, nem ultrapassa a medida da sua culpa, revelando-se adequada e proporcional ? defesa do ordenamento jur?dico, ficando prejudicada a quest?o da aprecia??o da respectiva suspens?o, por impedimento legal.
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III - O STJ, com fundamento, designadamente, na interpreta??o que a doutrina tem feito do regime jur?dico do art. 640.? do NCPC, j? consolidou uma jurisprud?ncia firme acerca da forma como deve ser efetuada pelas partes a impugna??o da decis?o sobre a mat?ria de facto e sobre o que ? obrigat?rio constar das conclus?es e o que admite que esteja essencialmente presente nas alega??es recurs?rias, constituindo para a mesma, como ?nica exig?ncia legal em sede do conte?do das conclus?es de recurso de apela??o, a concreta identifica??o dos pontos de facto relativamente aos quais o recorrente pretende que os tribunais da 2.? inst?ncia incidam o seu julgamento. IV - Ora, confrontando tal jurisprud?ncia com as conclus?es do recurso de apela??o do autor, mal se compreende o teor das alega??es e conclus?es do recurso de revista no que concerne a esta tem?tica, dado o autor ter identificado suficientemente os pontos de facto e al?neas da factualidade dada como assente e n?o assente que pretendia ver alterados pelo TRL, indicando mesmo, ainda que em moldes gen?ricos, o sentido dessa modifica??o. V - Muito embora o autor n?o tenha logrado provar, como lhe competia, toda a factualidade pormenorizadamente descrita na sua carta de resolu??o da rela??o laboral dos autos, a que conseguiu demonstrar nos autos prefigura, sem grande margem para d?vidas, um cen?rio de ass?dio moral, que justifica plenamente a resolu??o com justa causa da mesma. VI - Em caso de comportamento il?cito continuado do empregador, o prazo de caducidade do direito ? resolu??o do contrato s? se inicia quando for praticado o ?ltimo ato de viola??o do mesmo. VII - Atendendo ao regime constante dos arts. 364.?, 369.? a 372.? do CC, 7.? e ss do CSC e 3.?, 13.?, 14.? e 15 do CRgCom, n?o somente as sociedades por quotas, como a r?, t?m de ver a sua constitui??o inicial, assim como as suas subsequentes altera??es quanto ao seu substrato pessoal, constar de documentos escritos, como os atos que estes ?ltimos suportam t?m ainda de ser obrigatoriamente registados, n?o sendo o registo para tal efeito meramente declarativo ou probat?rio mas constitutivo da exist?ncia aut?noma de tal ente societ?rio e das vicissitudes que o mesmo ir? conhecendo, nessa vertente como noutras, consideradas essenciais pelo legislador comercial, ao longo da sua vida futura e ativa. IX - Tal significa que a mera confiss?o do autor de que foi s?cio da r? durante o aludido per?odo temporal n?o possu?a a virtualidade de substituir o acordo escrito atrav?s do qual entrou como s?cio na empregadora, como tamb?m n?o podia sobrepor-se e desconsiderar o aludido registo comercial, segundo o n.? 1 do art. 364.? do CC. X - Nada obsta, juridicamente, a que um dado trabalhador desenvolva as suas normais fun??es ao abrigo do contrato de natureza laboral [art. 11.? do CT/2009] que assinou ou acordou verbalmente com a sua entidade patronal e que, em simult?neo, possa ser s?cio da mesma empresa, desde que sem poderes efetivos para controlar e orientar, em concreto e efetivamente, de forma direta ou indireta a sua atividade, organiza??o, funcionamento e gest?o. XI - N?o existe fundamento de facto e de direito que justifique a pretens?o da r? no sentido da redu??o da antiguidade a contabilizar para efeitos indemnizat?rios, mediante a exclus?o do per?odo temporal entre 26-11-2007 e 20-05-2009 em que o recorrido teria sido s?cio da recorrente. XII - A situa??o de acumula??o de fun??es nas duas sociedades teve in?cio em 02-01-2011 e durou at? ao termo do contrato de trabalho mantido com a r?, que ocorreu no dia 16-10-2023 e sempre foi remunerada com a import?ncia de ? 150,00, nos 12 meses do ano [logo, no per?odo de f?rias], o que indica que nos achamos face a uma verdadeira e inequ?voca retribui??o, que, para mais, possui a natureza de retribui??o-base, nos termos conjugados no n.os 1 e 2 do art. 258.? do CT/2009. XIII - Essa quantia de ? 150,00 mensais tem de ser somada ? retribui??o-base inicial de ? 884,00, obtendo-se assim, a partir de 01-01-2011, um valor total mensal de ? 1 034,00, que tem de ser equacionado, como foi, quer em termos da quantifica??o da indemniza??o devida nos termos do art. 396.? do CT/2009, como ainda em sede de cr?ditos laborais, no que respeita aos proporcionais das f?rias do ano de 2023 e aos subs?dio de f?rias e do subsidio de Natal vencidos desde 2011 at? ao fim do v?nculo laboral, n?o havendo que fazer qualquer distin??o ? designadamente, para efeitos dos arts. 262.? e 263.? do CT/2009, entre ambas as presta??es, dado estar aqui em causa a retribui??o-base e n?o quaisquer outras presta??es complementares ou acess?rias a que alude aquela primeira disposi??o legal, n?o obstante os nomes criativos que lhe foram sendo dados pela empregadora. XIV - Atendendo ao quadro processual descrito nos autos, n?o podem restar d?vidas de que o trabalhador alegou na sua Peti??o Inicial factos mais do que suficientes para se poder ponderar, em sede de fundamenta??o e decis?o judiciais, como fez o tribunal da Rela??o de Lisboa, da exist?ncia de condutas il?citas, culposas e tipificadoras de ass?dio moral por parte da r?, levadas a cabo pelo s?cio-gerente AA3, que acarretaram, em termos de causalidade adequada, preju?zos v?rios para o recorrido, de natureza n?o patrimonial, que, por merecerem a tutela do direito, nos termos e para os efeitos dos arts. 29.? e 28.? do CT de 2009 e do n.? 1 do art. 496.? do CC, justificam plenamente o montante indemnizat?rio, porventura modesto, de ? 2 500,00.